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"A educação é aquilo que sobrevive quando o que foi aprendido é esquecido." Skinner |
Desde o lançamento dos livros: “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” em 2005, “Preparando os Alunos Para a Vida” em 2006, e dos “Os 10 Erros Que os Pais Cometem” e “A Sexualidade e o Uso de Drogas na Adolescência” em 2007, até o primeiro semestre de 2009, realizamos mais de 300 palestras sobre os respectivos temas em todo o país, totalizando um público superior a 150.000 pais e educadores nesses 4 anos em mais de 80 municípios de 15 estados brasileiros.
Estivemos em quase todas as capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador, entre outras, e também em tantas outras grandes e pequenas cidades do interior de todo o Brasil, levando um pouco da nossa experiência para pais e educadores. Todas essas viagens e contatos nos proporcionaram muita informação e muito aprendizado. É verdade, quando damos aula ou realizamos palestras ou cursos, nós, educadores, não só transmitimos informações, como também adquirimos um inestimável repertório cultural no feedback proporcionado pelo público. Muitas vezes no decorrer do evento, mas, principalmente na mesa de autógrafos ao final do evento e pelos e-mails recebidos posteriormente. São muitas histórias, muita informação sobre comportamentos regionais de pais, filhos e alunos, e muitas ilustrações sobre os assuntos tratados nos encontros. Uma mãe, com lágrimas nos olhos, segurando um livro para autografar nos disse certa vez: “professor, quando o Sr. falou dos efeitos nocivos da superproteção, parecia que estava falando para mim. O meu filho, hoje adolescente, é completamente dependente de mim para tudo, até para escolher a roupa com que vai sair, ou para fazer o prato nas refeições. Percebo agora, o quanto eu errei na educação dele. Foi excesso de amor como o Sr. disse, nunca deixei lhe faltar nada, sempre fiz tudo por ele, coitado! E agora, o que será desse menino?” – Outra mãe, também demonstrando-se impotente, relatou que sempre foi muito ausente e que deu toda a liberdade para a filha e esta, agora adolescente, não possui limites, não aceita regras e normas e desafia os pais tomando decisões por conta própria, principalmente quanto as saídas noturnas e companhias. “O quê fazer?” Perguntou-nos quase que em desespero. Quando há oportunidade damos alguma orientação ali mesmo numa conversa informal, mas na maioria das vezes, até mesmo por conta do ambiente e do reduzido tempo, costumamos manter contatos posteriores com esses pais via e-mail e passar-lhes o máximo de orientações e encaminhamentos possíveis.
Felizmente, também ouvimos muitas histórias de casos de sucesso. É muito gratificante ouvir de um professor que ele não tem problemas de disciplina em sala e que seus alunos são bem produtivos e obtém um bom aproveitamento, ou de um pai, frases do tipo: “Graças a Deus, os nossos filhos são bem comportados, não têm vícios, são queridos por todos e estão bem encaminhados na vida”. Desses, também procuramos obter informações sobre as suas possíveis influências no sucesso da educação. Nesses casos, invariavelmente, temos respostas referentes aos modelos de comportamentos apresentados pelos pais e professores, aos valores sociais humanos adotados pela família e pela escola, sobre os padrões éticos e morais praticados e também sobre afeto, comunicação e limites, assuntos exaustivamente tratados nos nossos livros.
Também tivemos casos de autopercepções e soluções caseiras como o de um pai que por e-mail relatou que havia assistido a uma palestra nossa e registrou, entre outros, dois pontos significantes do nosso discurso: 1) “que ninguém faz curso para ser pai ou mãe, costumamos nos valer das nossas experiências enquanto filhos para educar os nossos, e aí podemos cometer erros”; e, 2) “pai não é amigo de filho, pai é pai e tem responsabilidades diferentes de um amigo na relação”. – Contou-nos que essas percepções lhe fizeram “cair a ficha”, pois mantinha uma postura de amigo com o filho, protegendo e mantendo determinadas cumplicidades com ele, como por exemplo, esconder da mãe alguns destinos das suas saídas, colas em provas na escola, gastos excessivos cobertos com mesadas extras, etc. Relatou também, que já de há muito tempo, estava preocupado com a situação e com o futuro do filho e não sabia o que fazer, pois, instintivamente, sentia-se culpado. – “Na sua palestra, as coisas ficaram bem claras para mim. Eu tinha que ser pai do meu filho e não, amigo dele”, concluiu. E encerrou dizendo que já estava mudando, que havia conversado com o filho sobre o assunto e que se sentia muito mais seguro para realmente, educá-lo. Restou-nos agradecer pelo feedback e demonstrar a nossa satisfação em poder oferecer informações científicas sobre a educação.
Esses vários tipos de histórias, exemplos de situações familiares ou de sala de aula, pedidos de ajuda ou orientação, frases, poesias, conceitos, filmes e fotos recebidos numa infindável gama de e-mail, trouxeram-nos, ao longo desses anos, após rigorosa filtragem, um rico material que ilustra a maior parte deste livro.
A fundamentação, como sempre, é pautada pela ciência. Tem o lastro da Psicologia do Comportamento Humano e é exemplificada com acontecimentos reais, tanto pessoais familiares, como de cunho profissional, ou seja, os estudos de caso no consultório ou na escola desenvolvidos ao longo de 11 anos de atuação clínica atendendo famílias, e de 5 anos enquanto Psicólogo Educacional no atendimento a alunos, seus professores e pais. (nesses casos, usamos nomes fictícios para proteger essas pessoas).
No universo escolar tivemos a grata oportunidade de levantar surpreendentes dados estatísticos como, por exemplo, sobre as causas dos encaminhamentos dos alunos para o setor de Psicologia. Constatamos basicamente, as seguintes queixas dos professores e orientadores: indisciplina, agressividade, ameaças, humor instável, brigas, notas baixas, irresponsabilidade, confronto á figura de autoridade, não aceitação de regras e normas, desorganização, reprovações, atrasos, faltas, rebeldia, desatenção, palavrões, atitudes inconvenientes, ausência de limites, mentiras e baixo rendimento, entre outras. Nenhuma novidade até aqui. O jovem é por natureza, contestador, vive em conflito existencial, corporal, religioso, moral, sexual, e tantos mais, vivencia novas experiências a cada dia e costuma se surpreender consigo próprio a todo momento, ou seja, vive intensos conflitos na maior parte do tempo e o estudo com as respectivas responsabilidades da escola ficam, para muitos, num segundo plano. Alguns conseguem conviver com todo esse universo de inseguranças e responsabilidades, outros não, extrapolam e se tornam “alunos problema”. Após os atendimentos a esses alunos e aos seus respectivos pais, acabamos concluindo que as principais causas desses comportamentos anti-sociais na escola foram ampliados, principalmente pelos conflitos familiares entre os pais e os filhos, como: distorções na comunicação, pai ausente, mãe exigente, pais sem tempo, gravidez indesejada, irmãos preferidos (sentimento de rejeição), sentimento de culpa pelos conflitos entre o casal, pais que agridem, pais que superprotegem, pais que não dão limites, pais separados e a ausência de contatos afetivos, entre outros. A parte mais interessante registrada nesses atendimentos foi de que a grande maioria dos casos acabou sendo rapidamente resolvida todas as vezes em que os pais do aluno problema se integraram no resgate dos comportamentos desejados dos filhos, e estes também assumiram responsabilidades com relação às mudanças comportamentais necessárias.
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